PS ontem e hoje


MEMORANDO
SOBRE A SITUAÇÃO DO PARTIDO SOCALISTA
NA ALEMANHA
em Junho de 2017

À data da fundação do Partido Socialista Português, em Bad Münstereifel, Alemanha, no dia 19 de Abril de 1973, o PS não contava mais do que cinquenta filiados em todo o mundo.

Pela Alemanha – o que demonstra o papel político importante deste país já nessa altura, por um lado, e a actividade política de membros da emigração portuguesa, por outro – participaram nesse acto da fundação Gomes Pereira, que trabalhava como metalúrgico, assim como Carlos Novo, Carlos Queixinhas e Desidério Lucas do Ó, na altura residente na cidade de Frankfurt. Entre outras personalidades importantes, Lucas do Ó foi um dos membros que assinou a Acta de Fundação do PS.

O Partido Socialista desenvolveu-se largamente, tendo sido criadas secções em várias cidades da Alemanha. Devido ao seu activo papel político no seio da emigração, foi constituida mais tarde também uma Federação; esse facto serviu para fortalecer não só as já estreitas relações com o partido-irmão alemão – SPD – mas também para promover uma forte cooperação a vários níveis político-sociais e criar a base mais importante para uma efectiva actuação política das estruturas do Partido.

Com o passar dos anos, devido ao regresso a Portugal de muitos dos camaradas activos, ao claro desinteresse da central do Partido Socialista, mas sobretudo devido à nossa própria inércia, muitas secções foram fechadas. A actividade política restante passou a ser exercida pelos camaradas políticamente mais activos, alguns deles eleitos, no seio do SPD alemão e nada mais. O resto é História!

A presença do Partido Socialista na Alemanha

Pretensamente existiam até há pouco duas secções do PS na Alemanha – uma na cidade de Münster e outra em Estugarda. Ultimamente foram criadas outras novas, em Frankfurt/Offenbach e em Bremerhaven. Em abono da verdade, podemos afirmar, no entanto, que o PS se encontra praticamente inactivo, numa situação de “adormecido” e de “abandonado”. Não há actividades visíveis, há poucos encontros, não chega quase nenhuma informação de Portugal, pedidos de informação enviados, raramente recebem resposta, ou são prepositadamente ignorados, sendo esse comportamento justificado pela falta de tempo, ou sobrecarga de agenda…

Os quadros existentes do PS têm-se servido do Facebook, limitando-se a repôr, de vez em quando, notícias da central do PS em Portugal, também retiradas do Facebook.
Um encontro em Paris, em Outubro de 2017, das secções do PS existentes na Europa tinha por finalidade organizar uma estrutura IT na página central do Partido, que desse visibilidade a essas mesmas estruturas. Passados vários meses, nada aconteceu, justificando assim um dos comentários proferidos no dito encontro de Paris: “Esperemos que isto não seja, de novo, mais do mesmo”.
Por esse motivo, decidimos não esperar mais, mas tomar nas nossas próprias mão a resolução do projecto, pelo emnos para as estruturas do PS na Alemanha.
Só assim será possível falarmos com uma só voz!

Actualmente, o PS da Alemanha não tem presença na Comissão Nacional. Apesar de tudo, há elementos das secções aqui mencionadas que participam em Congressos, sem sabermos com que maiorias foram eleitos, nomeados ou “requisitados”, situação que não pode ser mais tolerada.

Não registamos, desde há muito tempo, qualquer apoio informativo e político da Central do PS em Lisboa – a quem nos dirigimos, várias vezes, via Internet, recebendo apenas respostas automáticas. Assim não se ganham apoiantes, muito menos militantes!

Registamos e apoiamos a “intensa actividade” do nosso Deputado pela Emigração, marcando presença sobretudo nos países que mais votos representam, mas lamentamos que raramente visite a Alemanha e as respectivas secções. Esteve presente no lançamento das novas secções (que tiveram alguma presença nas redes sociais), mas depois disso nada mais aconteceu. É compreensível que o “peso e a importância eleitoral” da Alemanha não seja igual ao da França. Mas esse argumento não pode ser nem utilizado pelo Deputado para não aparecer, ou para andar sempre a “correr”,, por falta de tempo, nem pelo Partido Socialista, como também não será por nós aceite! Assim não avançamos!

Há exemplos de novos “militantes” interessados em filiar-se ao Partido Socialista que, após solicitarem resposta do PS em Lisboa, via Internet, esperaram meses e meses, sem obter nunca uma resposta. Com esta nossa página queremos por ponto final a este estado de coisas.

Os temas da Emigração e outros

Achamos politicamente importante a apresentação de “moções sectoriais” ao Congresso do PS, tal como a moção “Fazer a Diferença nas Comunidades” e a sua apresentação ao Sr. Presidente da República. Achamos porém que elas deveriam ter sido elaboradas com os portugueses emigrantes do PS. Também os da Alemanha. Uma situação a corrigir urgentemente!

Entendemos o acento político que traz consigo a reivindicação relativa à criação de um “Museu da Emigração” em Portugal. Mas será ela prioritária? O nosso Portugal, onde praticamente cada família está “tocada” pela Emigração, é já em si o maior Museu da Emigração; a nossa própria História é o melhor Museu da Emigração, e isso há já pelo menos 500 anos. Muitos dos nossos “artefactos históricos” encontram-se já em museus da emigração, mas dos países onde nos encontramos. Exemplo icónico na Alemanha é a famosa “motorizada” do “Milionésimo emigrante” na Alemanha, o português Armando de Sá, que se encontra no Museu da História em Bona. Outros artefactos podem ser visitados no Museu da Emigração “Domid” em Colónia.

Lembramos que não é pequena a lista das reivindica¬ções “prioritárias”, apresentadas pelos Emigrantes e pelos Militantes do PS da Alemanha, afectados pelo actual estado de coisas. Referimos aqui, a título de exemplo, apenas dois dos mais importantes temas actuais: a reabertura do Consulado de Frankfurt e de Osnabrück, bem como o ensino da língua portuguesa, sem proprina.

Reconhecer as prioridades

Sabendo que o anterior Governo PSD/CDS encerrou os dois Consulados mencionados, verificamos que os esforços políticos feitos pelos membros do PS, junto dos responsáveis em Portugal, continuam ignorados, enquanto os membros do PSD, aqui na Alemanha, se arvoram em pretensos “defensores” da reabertura dos mesmos e da defesa dos demais interesses dos Emigrantes portugueses, sublinhando ainda que estão em sintonia com o SECP. Isto é simplesmente inaceitável!

Para os seus fins, utilizam a FAD – Federação das Associações da Diáspora – uma estrutura criada pelo ex-SECP José Cesário, sediada em Viseu, e que, para além de apoiada por pessoas interessados em bons negócios, nada mais faz do que garantir aqui a presença do PSD.
Reconhecemos no entanto que, pelo menos o PSD dá “ajuda” às suas estruturas, enquanto nós nos lamentamos!

Há muitas coisas que não se entendem e, por isso, fica uma pergunta: porque razão se glorifica por exemplo a abertura do entretanto “100° Gabinete de Apoio aos Emigrantes” nas cidades e aldeias de Portugal, quando o apoio que mais falta faz é nos países onde estamos emigrados e onde residimos, onde temos de resolver os problemas em Consualdos, que ficam a mais de 200 Kms de distância (400 ida e volta!)?

Não ignoramos o esforço que o actual Governo de Portugal – mormente o PS – está fazendo para melhorar as coisas em geral, num país que sofreu as consequências desastrosas de uma política inaceitável do Governo anterior; também verificamos que esse esforço está dando resultados, aliás reconhecidos internacionalmente.

Porém, não queremos, nem aceitamos que seja ignorada a contribuição política e financeira que a Emigração em geral, e da Alemanha em particular, deu e continua a dar para o desenvolvimento económico e financeiro de Portugal. Em consequência disso, desejamos e reivindicamos que, como acima citado, o nosso actual Governo – neste caso o MNE e a SECP – não exite em tomar as medidas necessárias, onde se torne necessário, de acordo com as nossas justas reivindicações.

Se é possível abrir Consulados noutros países – como na França, ou até mesmo na região de Vigo (a pouco mais de 10 Kms de distância da fronteira portuguesa – porque não em Frankfurt ou em Osnabrück?
Até agora só perdemos pela demora. E, tendo em conta a evolução política esperada para a região geográfica de Frankfurt, constitui um erro político crasso, Portugal não estar oficialmente presente!
Por isso solicitamos aos responsáveis do PS em geral e aos responsáveis do PS pela emigração em particular, que connosco articulem as respostas adequadas aos problemas aqui descritos

Berlim, apesar de ser a capital deste país e de ser ali que se concentram as “conotações” políticas importantes, está longe da maioria da população portuguesa.
Mas, por mais que queiramos, não conseguimos evitar a impressão de que os responsáveis diplomáticos portugueses parecem preferir concentrar-se apenas ali, evitando as cidades onde residem os portugueses.

Lamentamos ainda que nas visitas de personalidades políticas ligados ao Governo e ao PS, não exista quase nunca a informação e o interesse de elas se encontarrem com a população, ou com cidadãos ligados ao PS. Claro que não podemos esperar tais iniciativas da Embaixada de Portugal em Berlim (não é para encontros partidários que ela deve estar vocacionada), mas, a existirem estruturas do PS que funcionem, isso seria fácil de organizar, se houvesse interesse e informação antecipada!

Há muito para ser feito. Queremos revitalizar o PS na Alemanha, seu berço natal e de registo. Precisamos de gente e de estruturas. Precisamos de ser nós a decidir o que queremos e o que deve ser feito. Mas, numa estrutura partidária digna desse nome, tem forçosamente que haver uma interligação e sintonia entre todos os organismos de direcção.

Finalmente, queremos que Portugal nos veja como membros construtores da nossa casa comum. Uns constroem Portugal lá dentro, nós construimos Portugal cá fora.

Fica aqui o desafio para um diálogo aberto, político, renovador e construtivo com os responsáveis do Partido Socialista

Manuel Campos – Responsável pela Secção do PS de Frankfurt-Offenbach

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