Dia de luto nacional: PS chora morte do eterno humanista António Arnaut


O país está hoje de luto nacional por António Arnaut.

Morreu ontem, aos 82 anos, António Arnaut, o homem que toda a gente conhece como o “pai” do Serviço Nacional de Saúde e um dos fundadores do Partido Socialista. Partido que decretou luto com bandeira a meia haste em todas as suas sedes. Mas, tendo sido Arnaut quem foi e tendo deixado “a obra pública” que deixou para todos os portugueses -como apontou o primeiro-ministro, também o país está de luto, tendo o Presidente da República decretado um dia de luto nacional.

Para António Costa, primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Arnaut será recordado para a “eternidade” como “o pai” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), resistente à ditadura e militante socialista “honrado”.

O grupo parlamentar do PS, pela voz de Carlos César, recorda Arnaut como um “socialista ímapar, apaixonado pela saúde pública e cujo desaparecimento obriga o partido a seguir mais ainda a sua trajetória humanista”.

Para Manuel Alegre, António Arnaut foi ao longo da sua vida “um homem completo, integral e sempre coerente nas suas posições”, sendo a maior homenagem que se lhe pode prestar é “salvar o SNS”, frisou.

O próprio Arnaut, recorde-se, continuava “pessoalmente empenhado” na nova lei de bases da saúde, que prevê “carreiras profissionais dignas, com garantia de estabilidade, formação permanente, progressão e remuneração adequada”, disse em entrevista recente ao Notícias ao Minuto, na qual atribuiu o papel de ‘mãe’ do SNS à Constituição. “As pessoas conhecem-me como pai do SNS. Mas o que tem valido é a mãe”, disse, na altura, por ocasião do 38º aniversário do SNS.

João Soares, filho de outro histórico do PS, Mário Soares, quis deixar o seu “modesto tributo de homenagem” a Arnaut. “Foi o fundador do SNS, enquanto ministro dos Assuntos Sociais de um Governo PS/CDS dirigido por meu pai, Máio Soares. Foi fundador, mas fundador a sério, esteve na RFA em Bad Munstereiffel, do Partido Socialista. (…) Honra à memória de António Arnaut”, escreveu.

Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, destacou que António Arnaut foi “até ao último dia um cidadão empenhado e um militante ativo da causa dos direitos sociais, porque sabia bem que sem igualdade de oportunidades a liberdade não tem condições para ser exercida” e recordou o “exemplo ético” que representava.

As reações à morte do histórico socialista foram-se multiplicando ao longo do dia.

Isabel Moreira sublinhou que “para a eternidade todos o recordaremos justamente como o pai do Serviço Nacional de Saúde”.

“Com a perda de António Arnaut, o Partido Socialista e o país deixam de poder contar com uma das suas referências maiores. Recordo com saudade as palavras sábias, ideologicamente nítidas e focadas, do Presidente Honorário do PS. ‘O Socialismo é uma ética’ que continuaremos a honrar no futuro”, escreveu João Torres.

Edite Estrela agradeceu, dirigindo-se diretamente a Arnaut. “Pelo que foste, pelo que nos legaste (e não foi só o SNS, o que seria bastante), pelo exemplo, pelo inconformismo, pela amizade. Por tudo. Descansa em paz”.

Ao longo do dia, foram também várias as reações de pesar vindas fora do PS. O bastonário da Ordem dos Médicos recordou o “homem sempre preocupado em salvar SNS”. Também o presidente da Associação Nacional das Farmácias reagiu à perda, garantindo que as “farmácias vão seguir o exemplo de António Arnaut”.

João Semedo afirmou ter ficado “amargurado, gelado e invadido por um vazio” com a morte de Arnaut, que conhecia de perto e com quem unira esforços para salvar o SNS. “Morreu o homem, guardemos a memória do seu exemplo e saibamos ser dignos dele”, pediu o bloquista.

António Arnaut, advogado, nasceu na Cumeeira, concelho de Penela, distrito de Coimbra, em 28 de janeiro de 1936, e estava internado nos hospitais da Universidade de Coimbra.

Presidente honorário do PS desde 2016, António Arnaut foi ministro dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Poeta e escritor, António Arnaut envolveu-se desde jovem na oposição ao Estado Novo e participou na comissão distrital de Coimbra da candidatura presidencial de Humberto Delgado.

[NAM,  Melissa Lopes ]

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