Governo aposta na valorização do interior, porque “a política faz-se de escolhas”


“A valorização do interior tem sido uma prioridade política, um imperativo programático e um desígnio nacional deste Governo, que só podemos saudar e estimular”, defendeu a deputada do PS Susana Amador durante o debate quinzenal, no Parlamento, com a presença do primeiro-ministro.

A socialista apontou que o Programa Nacional de Coesão Territorial teve, num escasso período de 17 meses, “um grau de execução assinalável”: 74,4%, ou seja, 122 medidas cumpridas.

“O desenvolvimento equilibrado do país, a defesa do Estado Social e dos serviços públicos, assentes num novo modelo de desenvolvimento, são centrais no Programa Nacional de Reformas. A política faz-se de escolhas”, asseverou.

Porque “as boas políticas públicas produzem sempre bons resultados”, o mesmo acontecerá com a valorização do interior na prossecução de um país mais equilibrado e mais coeso, explicou Susana Amador, que deu os exemplos da economia, do emprego e da inversão das desigualdades sociais.

No entanto, deixou o alerta: “Um interior mais coeso, mais competitivo e mais sustentável só será possível com o envolvimento empenhado e participação ativa das autarquias locais, das CIM’s, associações, empresas, universidades e demais atores”. Segundo a parlamentar, “esta agenda permanente para o interior requer e exige o compromisso de todos”, o que tem acontecido até ao momento, por isso Susana Amador deixou uma saudação a “todos os contributos cívicos recebidos”.

Susana Amador explicou também que a reorganização do Estado através da desconcentração de competências e de serviços públicos “constitui uma oportunidade para transferir pessoas e competências, nomeadamente para os territórios do interior, dando novas escalas e oportunidades aos recursos locais”. Assim foi com a reabertura do Call Center da Segurança Social em Castelo Branco, exemplificou, que foi “encerrado incompreensivelmente em 2012 pelo Governo PSD/CDS, e que criou agora 150 postos de trabalho”.

“Uns tornaram o Estado mais distante e ausente, outros aproximaram esse Estado dos cidadãos, tornando-o presente”, atacou, dirigindo-se às bancadas da direita. Mais uma vez, “a política faz-se de escolhas”.

“O Programa Nacional de Coesão Territorial será agora revisto. Este é o momento certo para o fazer, porque estamos a negociar o Quadro Financeiro Plurianual e a projetar os fundos estruturais”, considerou a socialista.

Anterior Governo tratou o interior como um “fardo descartável”

Já o deputado Francisco Rocha tomou a palavra para lembrar que, na passada sexta-feira, o Movimento pelo Interior apresentou publicamente o resultado da sua atividade. “O Grupo Parlamentar do PS não pode deixar de registar, com muito agrado, essa iniciativa e agradecer a todos os seus promotores e participantes”, declarou.

De acordo com o socialista, o desenvolvimento e a convergência do interior “deverão ser considerados e assumidos como prioridade nacional e suscitar a nossa melhor atenção e ponderação política”.

Assim, todo o país tem de aprender com os erros e “fazer melhor, construir políticas públicas que consigam fazer ultrapassar os bloqueios estruturais e contribuam para o sucesso de uma estratégia, de médio e longo prazo, que faça avançar o interior”, defendeu.

Para o deputado, as décadas de políticas públicas demasiado centralizadoras foram agravadas por “um Governo de direita que assumiu esta parcela de território como um fardo dispensável e descartável”, criticou, recordando um “passado recente”.

Dirigindo-se às bancadas do PSD/CDS, Francisco Rocha garantiu que “os portugueses não esquecem o tempo em que foi colocada em prática uma agenda política retirada de uma espécie de ‘Guia Prático para a Liquidação do Interior’”.

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