Combustíveis: Direita quer “vender sonhos cor de rosa”


“Estamos perante mais uma iniciativa legislativa que, fora de tempo, procura vender sonhos cor de rosa e esquecer o passado da governação da direita”, considerou hoje a deputada do PS Jamila Madeira, durante o debate, marcado pelo CDS-PP, sobre o fim do adicional do Imposto Sobre os Combustíveis (ISP).

Segundo a socialista, PSD e CDS esqueceram “estrategicamente” que esta é uma matéria a discutir em sede de Orçamento do Estado. O Partido Socialista, porque acredita e quer rever a estratégia fiscal, “está disponível para o fazer na sede própria com uma lógica ambiental”, garantiu.

Jamila Madeira alertou que esta “proposta de perda de receita revela uma total despreocupação com o equilíbrio orçamental”.

“Estas propostas são agora e aqui discutidas, mas esquecem o desafio que este Governo tem trilhado e que visa encontrar alternativas energéticas e ambientalmente responsáveis”, sublinhou.

“A direita esqueceu-se de referir que foi pela mão do Governo de direita que o mercado liberalizado viu a luz do dia”, recordou Jamila Madeira.

A deputada do PS explicou que os cidadãos querem mais direitos e mais Estado, “e o que o PSD e o CDS querem é precisamente o contrário: menos Estado”.

“O PS não está disponível para alinhar neste vosso fogacho eleitoral em nome daquilo que vocês dizem ser o serviço dos cidadãos”, asseverou Jamila Madeira, dirigindo-se às bancadas da direita. “Os cidadãos sofreram com as vossas propostas e o PS não deitará fora o essencial apenas para embarcar em discursos fáceis”, acrescentou.

Fim do adicional ao Imposto Sobre Combustíveis viola lei-travão

O fim do adicional do ISP “viola a lei de enquadramento orçamental, viola a norma-travão”, alertou o deputado do PS Carlos Pereira, dirigindo-se ao deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares, que abriu o debate de hoje.

O socialista usou da ironia ao considerar que Mota Soares “está imbuído de um espírito previsional acima da média, deve ser uma espécie de bruxo para saber o que vai acontecer até ao fim do ano” para afirmar, de forma clara, que esta medida, a ser aprovada, não alterará as questões da receita orçamental.

Carlos Pereira desafiou depois o centrista a explicar como quer compensar a perda de centenas de milhões de euros que são necessários para investir em escolas, em hospitais e na habitação. “Quanto custa esta medida? Em que despesas quer cortar?”, questionou.

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