Europeias: PS estará contra austeridade e contra “aventureirismos”


O cabeça de lista do PS às eleições europeias, Pedro Marques, demarca-se em absoluto tanto da visão “da direita” da austeridade, como de “aventureirismos” que defendam a saída do euro ou o não pagamento da dívida.

Não somos nem a Europa da ‘troika’, nem a Europa do ‘Brexit’. Quando refiro a Europa do ‘Brexit’, estou a falar da Europa dos aventureirismos, da saída da zona euro, de não pagar a dívida. Esse tipo de aventureirismo”, precisa o ex-ministro em entrevista à agência Lusa.

Nesta entrevista, o ex-ministro do Planeamento e das Infraestruturas afasta-se dos partidos à esquerda do PS em matérias europeias, embora se recuse a responder se os assuntos de política externa devem constar de um novo acordo político de Governo entre socialistas, Bloco de Esquerda, PCP e PEV na próxima legislatura.

Pedro Marques considera que a governação socialista com apoio parlamentar da esquerda deu “resultados positivos” porque permitiu políticas orientadas para as pessoas “sempre cumprindo integralmente os compromissos europeus”.

“Para o PS, não estava simplesmente em cima da mesa deixar de cumprir os compromissos europeus”, mesmo tendo “várias vezes” posto “em causa a visão europeia da austeridade e dos cortes sucessivos” durante o anterior Governo PSD-CDS.

O ex-ministro frisa que um novo entendimento com BE, PCP e PEV após as eleições não vai afastar o PS da linha “profundamente europeísta”.

“Temos uma diferença importante em relação aos partidos à nossa esquerda e parece-me que os cidadãos europeus veem, pela impreparação do ‘Brexit’, que esse tipo de aventureirismo não dá bons resultados”, salienta.

No plano político, o ataque central de Pedro Marques é feito aos seus adversários diretos do PSD e CDS, Paulo Rangel e Nuno Melo, respetivamente, que diz representarem a linha de continuidade do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

“Se há eleição em que é absolutamente clara a existência de uma diferenciação é esta das europeias. Os candidatos que a direita repete nesta eleição (a esquerda também repete os candidatos) têm uma mensagem de passado. Estes candidatos, em particular os da direita, são os candidatos que estiveram a defender o Governo de Passos Coelho quando executou a política dos cortes”, afirma.

Pedro Marques invoca depois o princípio de que em política “não há coincidências”.

“Pedro Passos Coelho regressou à política nesta pré-campanha das europeias para falar de cortes e dizer que é preciso fazer mais cortes. São estes outra vez os protagonistas do PSD e do CDS”, aponta.

O cabeça de lista europeu do PS critica também a atuação do candidato do Partido Popular Europeu (PPE) à presidência da Comissão Europeia, Manfred Weber, alegando que o germânico “defendeu sanções contra Portugal” quando o atual Governo socialista tentava “defender o país das sanções”, pondo termo ao Procedimento por Défice Excessivo.

“Ao longo destes cinco anos e, em particular, até chegarmos ao Governo, estivemos perante uma direita dos cortes e das sanções – e nós não estivemos desse lado. Há mesmo uma dicotomia, uma diferença muito grande no que se defende para a política europeia neste momento: Ou uma direita dos cortes e das sanções, ou uma Europa do novo contrato social”, sintetiza, numa tentativa de bipolarizar o cenário eleitoral em 26 de maio próximo.

Pedro Marques tenta ainda estabelecer outra diferença entre PS e os partidos à sua direita com base no seguinte argumento: “Nós [PS] renovámos protagonistas, temos protagonistas que foram executores deste novo contrato social em Portugal, mas a direita mantém os protagonistas dos cortes e das sanções”.

Segundo o cabeça de lista do PS nas eleições europeias, em causa estão duas visões diferentes para a Europa.

“Ou a Europa do novo contrato social que implementámos aqui em Portugal e queremos implementar na Europa; ou essa Europa dos cortes e das sanções do PSD e CDS”, acrescenta.

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