Centeno pode voltar a ser ministro das Finanças “se os portugueses nos permitirem voltar a formar um novo Governo”


Entrevista ao DN/Dinheiro Vivo/ TSF do dia 30 de março de 2019

site: dinheirovivo.pt

António Costa diz que conta com Mário Centeno para continuar à frente da pasta das Finanças.

Carlos César dizia nas Jornadas Parlamentares que o PS teve de trabalhar, às vezes, muito penosamente, com o Bloco e com o PCP. O que foi mais penoso, no seu entender? Isso cada um fala por si. Talvez seja a minha costela oriental, ou o otimismo que diminui a penosidade daquilo que é o trabalho normal em democracia e eu acho que uma das grandes qualidades desta legislatura foi, em primeiro lugar, termos acabado com um absurdo que a história nos tinha legado, que era manter um muro, 20 anos depois da queda do muro de Berlim, não sendo possível entendimentos, com incidência governativa, com o PCP, com o Bloco de Esquerda e com o partido ecologista Os Verdes. Isso acabou, essa teoria do arco da governação. Portanto, oferece hoje aos portugueses uma variedade maior de soluções governativas com estabilidade. E acho que esta legislatura provou que é possível haver uma solução governativa desta natureza, que assegure estabilidade. Eu diria que muito poucas pessoas acreditavam, quando as posições conjuntas foram assinadas, em novembro de 2015, que estivéssemos quase a chegar ao final da legislatura sem sobressaltos e com a continuidade da ação governativa e sem nenhuma crise orçamental. Menos ainda acreditavam que fosse possível compatibilizar os compromissos que tínhamos assumido com os portugueses no programa eleitoral do PS, os compromissos que estávamos a assumir com os parceiros parlamentares e os compromissos internacionais do país, designadamente para com a União Europeia. e a verdade é que hoje, de uma forma harmoniosa, eu diria mesmo excessivamente harmoniosa porque hoje parece tudo tão fácil que de repente toda a gente já acha que tudo é possível, já e para todos. E, de facto, não é possível já, tudo e para todos. E, portanto, é um trabalho exigente, mas que tem valido a pena, espero que assim continue até ao último dia da legislatura, e depois das eleições, a partir das eleições os portugueses falarão.

No programa televisivo da Cristina o senhor Primeiro-Ministro foi mostrar os seus dotes culinários. Hoje já está a cozinhar uma nova geringonça? Não, são coisas diferentes.

Mas está ou não? Os cidadãos é que decidirão se votam assim ou se votam assado. E, pronto, depois dos cidadãos terem falado e terem escolhido os seus representantes na Assembleia da República, em função dos resultados eleitorais é possível ver quais são as soluções governativas que são possíveis ter e desejáveis ter. Agora, qual é a vontade de qualquer dirigente político? A minha não é diferente de qualquer um dos meus adversários: termos o melhor resultado possível.

Portanto, uma maioria absoluta. Toda a gente quer o melhor. Se perguntar aqui ao Jerónimo de Sousa, à Catarina Martins, ao Rui Rio, à Assunção Cristas, qual é o resultado que querem.. o melhor possível. Querem o mesmo que eu. Assim não sou muito imaginativo. Quero o mesmo que eles.

Uma sondagem recente, e as sondagens, enfim… valem o que valem, dá uma subida significativa ao PSD nas próximas europeias e cerca de 34% ao Partido Socialista que se mantém mais ou menos estável. O que lhe pergunto é, o que seria um bom resultado para o Partido Socialista, ou, de outra forma, o que é que não seria um resultado poucozinho? Eu espero, também aqui nas Europeias, ter o melhor resultado possível. As Europeias, como sabe, são sempre eleições ingratas para os Governos. Creio que, até hoje, em Portugal, só por duas vezes é que um partido que está no Governo ganhou as eleições, portanto, a confirmar essas sondagens, pela terceira vez um partido que está no Governo e que ganha eleições. Acho que é importante, neste momento, que estas eleições sejam também vistas nessa ótica interna e que se perceba que é preciso, é útil ao país dar aqui um sinal claro de estabilidade e de vontade de continuidade relativamente aos anos futuros. No caso concreto das Europeias em particular acho que é muito importante o resultado do PS, porque quanto mais força o PS tiver no grupo socialista do Parlamento Europeu melhores condições o PS terá, o Governo terá para negociar os pelouros na Comissão Europeia e as posições de Portugal no próximo Quadro Institucional.

Mas do ponto de vista de leitura política interna, que é sempre feita, o que lhe pergunto é, para si uma vitória é uma vitória? Seja por pouco ou por muito? Uma vitória é uma vitória e uma derrota é uma derrota. Portanto é…

Já houve vitórias que o senhor considerou “poucochinho”. No passado… Sim, naquele contexto, o resultado que o PS teve há quatro anos foi um resultado “poucochinho”. Espero que este ano o resultado não seja… mas é como lhe digo, o contributo que posso dar é o meu próprio voto. Agora depende do voto dos portugueses e da avaliação que fazem e o sinal que também querem dar relativamente ao futuro do ano político.

Mário Centeno atirou para setembro uma decisão sobre o seu futuro. Já se habituou à ideia de que, se ganhar as eleições, não vai contar com ele como Ministro das Finanças?Tem essa convicção?

É uma pergunta. Olhe, eu não tenho essa convicção.

Está a contar com ele no novo executivo? Sim. Vamos lá ver. O professor Mário Centeno vai, seguramente, se nada de grave acontecer, daqui até ao outubro, ser a segunda pessoa, depois do professor Sousa Franco, a ser Ministro das Finanças quatro anos consecutivos numa mesma legislatura. Nunca, desde o 25 de abril até agora, nem nas maiorias absoluta do professor Cavaco nem nas maiorias absolutas do engenheiro Sócrates houve algum Ministro das Finanças que tenha feito uma legislatura completa.

Vai chegar à segunda? Acho que tem mesmo a oportunidade de poder, se os portugueses nos permitirem voltar a formar um novo Governo, de ser não só aquele que fez uma legislatura completa, mas também fazer uma segunda legislatura. Acho que, aliás, não faria sentido, o menor sentido, do ponto de vista interno não há a menor razão para que não prossiga as suas funções. Do ponto de vista externo seria aliás, faria muito pouco sentido, como presidente do Eurogrupo cessar essas funções prematuramente.

E Pedro Marques daria um bom Comissário Europeu? Isso daria seguramente, mas, enfim, a escolha dos Comissários Europeus será feita no momento próprio, como sabe, a seguir às eleições é necessário, que entre o Conselho e o Parlamento se criem condições para que haja a escolha de um presidente da Comissão. Esse presidente da Comissão terá que organizar a Comissão Europeia, terá que dialogar com a Comissão, com os diferentes Estados, com as diferentes famílias políticas para a distribuição dos pelouros e, portanto, o que eu digo é que é importante que Portugal possa estar nessa negociação com a maior força possível. E quanto mais força tiver dentro do grupo Socialista do Parlamento Europeu obviamente mais força tem para nos pelouros que caibam à família socialista poder ter o melhor possível.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *