Mirele Costa entrevista António Galamba no XIX Congresso do Partido Socialista


Mirele Costa entrevista António Galamba no XIX Congresso do Partido Socialista, que decorreu entre os dias 26 e 28 de abril de 2013 em Santa Maria da Feira.

1. Após a dissolução da federação, na Sua opinião, como ficou a situação do Partido Socialista (PS) na Alemanha?

Julgo que durante estes 2 anos não tivemos a evolução que deveríamos e que gostaríamos de ter tido e julgo que estes próximos 2 anos são fundamentais para aumentarmos a capacidade política do PS na Alemanha e a sua implantação. É o esforço a que nós temos apelado: a que as estruturas de facto possam abrir, possam captar mais cidadãos portugueses residentes noutros países de forma a aumentar o seu país eleitoral também dentro do partido, mas também para termos uma maior rede do ponto de vista da afirmação das propostas do PS, nomeadamente das propostas para as comunidades. Portanto é absolutamente fundamental que nós tenhamos a capacidade de ampliar essa implantação do PS também na Alemanha.

2. Qual foi a razão ou quais foram as razões que levaram o PS a acabar com a federação?

Como sabe esse é um processo anterior à nossa entrada em funções. Eu julgo que muito do que terá estado na base desta posição foi um pouco a forma como as federações estavam a funcionar. Portanto de algum modo não estavam a ter o dinamismo q deviam ter. Eu julgo que essas questões relacionadas com as federações ao nível das estruturas nas comunidades portuguesas das estruturas do PS têm de ser repensadas no futuro de forma a nós encontramos que modelos melhores é que podem servir o facto de não só as comunidades mas também os militantes do PS nas comunidades, e portanto digamos que da nossa parte não há nenhuma ideia preconcebida sobre essa matéria. Estamos disponíveis até porque temos a clara noção de q a realidade é diferente daquela que é vivida no território nacional para equacionar modelos de organização completamente diferentes daqueles que existem agora e até daqueles que existiam no passado com base nas federações. Portanto é uma questão de mobilizarmos os militantes do PS e refletirmos sobre de que forma é que podemos aumentar a nossa implementação e a nossa presença junto das comunidades.

3. Ainda no que concerne o PS na Alemanha, como avalia presentemente a atuação das duas secções existentes?

Eu julgo que há sempre muito trabalho que poderíamos fazer a mais. Compreendo que muitas vezes as estruturas não têm as condições que deveriam ter para poderem realizar esse trabalho mas julgo que há um grande potencial que tem de ser explorado. Há dinâmicas novas que vão surgindo, há novos cidadãos portugueses que vão viver para a Alemanha e portanto nós temos de ter a capacidade de aumentar a nossa capacidade política, a nossa intervenção política e isso passa nomeadamente por dinamizar mais essas estruturas, de forma a que elas tenham uma maior intervenção política e uma maior capacidade de chegar aos nossos concidadãos.

4. Como definiria a importância que o PS atribui às Comunidades?

Eu julgo q nós temos que aprender com os erros do passado e sobretudo construir um programa político, de forma a que não haja outra vez uma situação como aquela que aconteceu nas últimas eleições legislativas, na nossa perspetiva, é que o PSD, apesar de saber da situação em que estava o país do ponto de vista das suas contas públicas, andou a prometer o céu e a terra às comunidades portuguesas e quando chegou ao poder, fez justamente tudo ao contrário. E o que se nota no território nacional, como junto das comunidades é um abandono grande do Estado, das suas estruturas, dos pontos de contacto da estrutura do Estado com as comunidades. Há um abandono grande do Estado e isso é perfeitamente inaceitável. Então quando estamos em território estrangeiro isso é algo que nos choca.

Eu julgo q nós temos de aprender com os erros que foram cometidos no passado junto das comunidades e temos sobretudo de construir uma proposta que seja uma proposta séria, realista, que aprofunde a relação das comunidades com Portugal, que aproveite o enorme potencial que existe junto das comunidades e que não está a ser aproveitado. Basta ver por exemplo, que o governo muitas vezes cria incentivos fiscais para atrair investimento estrangeiro e não tem medidas direcionadas para as comunidades portuguesas, onde felizmente há de tudo. Mas felizmente há portugueses que estão muito bem, que se afirmaram, conseguiram lutar e afirmar-se na vida e têm boas condições económicas e que poderiam dar outra ajuda a Portugal. Eu sei que o governo tem a mania, digamos, de agitar e congratular-se muito com as remessas q chegam a Portugal resultantes das comunidades. Eu julgo que o aumento das remessas que se tem registado nos últimos anos mais do que um momento de alegria, é um motivo de tristeza porque muitas dessas remessas certamente recorrem do facto de cada vez mais portugueses terem de emigrar para encontrar as oportunidades que não têm em Portugal.

Agora à parte disto há de facto um potencial grande nas comunidades que tem de ser aproveitado e as comunidades têm de ser respeitadas coisa que manifestamente com este governo não têm sido. Basta ver o que tem sido com os serviços consulares, com toda a estrutura diplomática e consular, é onde tem havido um grande desinvestimento e onde são colocados cada vez mais problemas nessa relação entre os portugueses e a administração Portuguesa no sentido de tratarem de questões tão básicas como os passaportes, os cartões de cidadão, e de todo um conjunto de documentos em que são colocados cada vez mais obstáculos à sua relação e até mesmo do ponto de vista de algumas iniciativas que eram positivas de Portugal. E depois há uma questão transversal que eu julgo que temos também de atacar e temos que reverter, que tem a ver com os preconceitos que continuam a existir junto dos portugueses, mas também por vezes na administração pública na forma como os emigrantes são tratados, como aqueles que são cidadãos nacionais, mas não residem no território, são tratados quando se têm de dirigir a um serviço cá em Portugal. Acho que há alguns preconceitos que têm de uma vez por todas de ser erradicados. Porque eles são naturalmente cidadãos de corpo inteiro, são portugueses de corpo inteiro, que sentem muito o seu país, sentem muito as suas terras, as suas tradições, a sua cultura e que têm o direito de ser tratados como qualquer outro cidadão, nomeadamente aqueles que residem em Portugal.

5. De que forma é que o PS ouve os militantes das Comunidades quando escolhe o deputado pela emigração?

Nós introduzimos na última revisão dos estatutos a obrigatoriedade das estruturas serem ouvidas quando for a elaboração das listas dos deputados. Portanto, vamos ter de encontrar uma forma de, de facto, fazer uma audição ou através de votação, ou através de um método que temos de encontrar de forma a que as estruturas também se possam rever nos candidatos que são apresentados. Há sempre problemas e há sempre aqui um choque digamos entre esta escolha que é feita, que é entre aqueles cidadãos que são residentes em territórios fora do território nacional, que têm de algum modo algum trabalho nesta área e aqueles que têm trabalhado ao longo dos últimos anos. Portanto há que encontrar aqui uma metodologia que permita que as soluções que são encontradas envolvam de facto a estrutura do PS nas comunidades, coisa que temos de reconhecer que no passado nem sempre aconteceu.

6. As próximas eleições poderão acontecer a qualquer momento, o PS na Alemanha terá alguma palavra a dizer na escolha dos candidatos?

Por via dos estatutos nós temos de ouvir todas as estruturas do PS e portanto eu acho que essa é uma matéria importante, é uma matéria onde eu acho que, também se for feito um trabalho da parte das estruturas do PS, e se tiverem um peso eleitoral eu acho que é muito importante. Eu acho que provavelmente fora do território nacional é onde a presença de mais militantes é mais importante. Portanto há que fazer um esforço, há necessidade de ter estruturas que façam um esforço para aumentar a sua capacidade de implantação, terem mais militantes, terem mais pessoas a participar porque isso também lhes confere maior legitimidade e maior poder para poder reivindicar e para poder fazer ouvir a sua voz.

7. Então existe possibilidade de o segundo lugar da lista do PS ser atribuído a alguém que tenha a ver com a Alemanha?

Isso é um processo que vai ser conduzido não oportunamente, como referi anteriormente houve alteração dos estatutos para que as vozes das comunidades se possam fazer ouvir.