Fundação


A FUNDAÇÃO DO PARTIDO SOCIALISTA EM 1973 –

Pequena resenha histórica, baseada num texto de Rui Mateus

O Partido Socialista Português foi fundado em Bad Munstereifel, República Federal da Alemanha, em 19 de Abril de 1973, sob os auspícios da Fundação Friedrich Ebert e do SPD – Partido Socialdemocrata da Alemanha.

Em Bad Munstereifel compareceriam vinte e sete fundadores, dos quais onze residentes em Portugal. Mário Soares, Ramos da Costa e Iberto Cruz viviam em Paris. Soares vivia desafogadamente, leccionando instituições portuguesas na Universidade de Vincennes e, sobretudo, enquanto consultor do Banco d’ Outre Mer de Manuel Bullosa. Este emprego, que era a sua principal fonte de rendimento só seria revelado, pelo próprio, em 1983.

Jorge Campinos leccionava na Universidade de Poitiers Francisco Ramos da Costa era considerado um homem abastado que vivia de rendimentos que tinha em Portugal. Manuel Tito de Morais e Gil Martins viviam em Roma. O primeiro era financeiramente apoiado pelo Partido Socialista Italiano e o segundo estudava arquitectura. Fernando Loureiro era licenciado em medicina e vivia na Suíça, onde trabalhava para um empresa farmacêutica. Bernardino Gomes vivia na Bélgica e estudava na Universidade Católica de Louvaina. De Londres vinham José Neves que era funcionário de uma empresa de equipamentos de escritório e Seruca Salgado que tinha participado, enquanto militante da LUAR, na tentativa de golpe de Beja refugiando-se primeiro em Argel. Da Alemanha vinham Gomes Pereira, que lá trabalhava como metalúrgico, assim como Lucas do Ó, que era o responsável pelo Grupo Socialista de Frankfurt am Main, Carlos Novo e Carlos Queixinhas. De Portugal estariam presentes os advogados Catanho de Menezes, Gustavo Soromenho, Fernando Vale, Fernando Borges e António Arnaut. Arons de Carvalho, Nuno Godinho de Matos e Roque Lino eram licenciados em direito e Maia Cadete, Mário Mesquita e Carlos Carvalho eram jornalistas. A única mulher presente seria Maria Barroso que, na Alemanha, representaria essencialmente o grande ausente, Francisco Salgado Zenha.Também outros, à data reconhecidamente ligados à fundação do Partido Socialista, não estariam presentes pelas mais variadas razões. Áurea Rego que vivia em Londres e muito fez para dinamizar o núcleo de Londres, Raul Rego, António Macedo, Jaime Gama, António Campos, José Luís Nunes, Magalhães Godinho e Vasco da Gama Fernandes, são alguns dos ausentes de maior relevo.

Em qualquer dos casos o Partido que fundámos na Alemanha, no dia 19 de Abril de 1973, não teria mais de cinquenta filiados em todo o mundo, e a polémica que viria à luz, aquando das celebrações do vigésimo aniversário da fundação, sobre quem votara a favor e quem era contra a transformação da ASP em partido é realmente pouco relevante. E apesar do meritório esforço jornalístico de Mário Mesquita, nem a fundação do PS teria a «benção» de Willy Brandt, nem os que votaram contra a fundação do PS, como foi o caso de Salgado Zenha, através de Maria Barroso, e do próprio Mário Mesquita, o fizeram por razões doutrinárias. Willy Brandt não esteve presente nem enviou qualquer mensagem a este congresso fundador e os únicos representantes do SPD seriam a funcionária da fundação Ebert para as questões ibéricas, Elke Esters e, no último dia, o secretário internacional Hans Eberhard Dingels, funcionário que não pertence aos quadros dirigentes daquele partido. O SPD não acreditava então na viabilidade do Partido Socialista. . .

Baseado em Rui Mateus (Contos Proibidos- Memórias de um PS desconhecido).